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sexta-feira, outubro 29, 2010

Futurbelas, empresa no centro da investigação Rollerball, tem 3 imóveis em hasta pública em Belas

Material apreendido na operação Rollerball
Aston Martin apreendido nas buscas da PJ.
A empresa Futurbelas, no centro de investigação Rollerball, foi penhorada pelas Finanças de Penafiel, onde a empresa tem a sede. A repartição de Finanças de Penafiel está a vender três terrenos na serra da Carregueira penhorados à Futurbelas. Um terreno fica perto dos Fofos de Belas e os outros ficam próximos do Belas Clube Campo. A soma das avaliações dos terrenos dá um valor de 850 mil euros.

Recorde-se que a burla alegadamente praticada a partir desta empresa deve rondar os 100 milhões de euros. Em Março deste ano, a Futurbelas tinha incorporado (através de uma fusão) as empresas Lineatur, Invesbelas e Vencimo.

quinta-feira, outubro 28, 2010

Futurbelas é uma das empresas relacionada com a investigação que envolve Luís Duque : ligações ao futebol

O Jornal de Notícias (foto do jornal) apurou que a Futurbelas - Empreendimentos Imobiliarios, SA. Em 2007 a empresa tinha sede num apartado da Quarteira, mas o presidente vive em Massamá Norte.

Já em 2009, a empresa transferiu a sede para Penafiel (na foto) e em Abril de 2010 fundiu-se com as empresas Lineatur - Investimentos Imobiliários e Turísticos, S.A., INVESBELAS - Sociedade Imobiliária, S.A., Vencimo - Compra e Venda de Imóveis, S.A.

segunda-feira, agosto 23, 2010

Presidente da República promulgou diplomas "que visam o combate à corrupção"

cavaco silvaO Presidente da República promulgou hoje os Decretos da Assembleia da República "que visam o combate à corrupção." Os diplomas foram desenvolvidos no âmbito dos trabalhos da Comissão eventual para o acompanhamento político do fenómeno da corrupção e para a análise integrada de soluções com vista ao seu combate. Os diplomas visam a:

- alteração do regime relativo a crimes de responsabilidade de titulares de cargos políticos, alargando o universo dos titulares de cargos regulados pelo regime em causa e abrangendo uma realidade mais vasta de condutas;

- alteração ao Código Penal, reproduzindo, relativamente aos funcionários, o regime também aprovado para titulares de cargos políticos e altos funcionários públicos relativos a crimes de corrupção passiva e recebimento indevido de vantagem patrimonial, introduzindo ainda o crime de violação dolosa de regras urbanísticas;

- derrogação do sigilo bancário, retirando-o da regra geral;

- alteração ao Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras, criando junto do Banco de Portugal uma base de dados de todas as contas bancárias e respectivos titulares;

- alteração do regime de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas, na matéria referente às garantias de imparcialidade, identificando as situações passíveis de acumulação em funções ou actividades públicas e aquelas em que exista incompatibilidade.

- alteração do regime do controle público da riqueza dos titulares dos cargos públicos, alargando o universo dos titulares de cargos obrigados à entrega, junto do Tribunal Constitucional, da respectiva declaração anual de rendimentos;

- alteração do regime que disciplina a aplicação de medidas para protecção de testemunhas em processo penal, mediante a não revelação da identidade das testemunhas relativas a certos crimes de burla qualificada e administração danosa.

No início deste ano, num discurso, Cavaco Silva tinha concluído "que a legislação não se mostra ajustada à realidade, o que leva a que este tema [o combate à corrupção] regresse ciclicamente à agenda política, mas sem que daí tenham surgido resultados concretos considerados eficazes para a melhoria da transparência da nossa vida pública.”

sexta-feira, agosto 13, 2010

Departamento de Obras Municipais quase não identifica riscos de corrupção

#5O Departamento de Obras Municipais, ao contrario do Departamento de Urbanismo, quase não identifica riscos de corrupção. No Plano de Prevenção de Riscos de Corrupção verifica-se que no DOM há apenas 3 riscos de corrupção e são "pouco frequentes." Trata-se do convite a firmas, critérios de adjudicação e apreciação de propostas.

O Departamento que tem a seu cargo uma fatia considerável do orçamento municipal não identifica riscos na elaboração de projectos, na apreciação/coordenação de projectos elaborados no exterior, nem na elaboração de processos de concurso.

Câmara Municipal de Sintra identificou acumulação de funções públicas com funções privadas como um risco de corrupção no urbanismo

Segundo o Plano de Prevenção de Riscos da Corrupção da Câmara Municipal de Sintra, um documento elaborado em 2009, as acumulações de funções públicas com privados são um risco de corrupção. A Câmara Municipal de Sintra não chegou a avaliar a frequência deste risco. No documento pode ler-se que "não foi efectuada a avaliação do risco."
Isotipo de la Cámara Municipal de Sintra. Coche Nº 6 (Brill 1903)
O Departamento de Urbanismo apontou uma medida para evitar o risco da acumulação de funções: "a criação de mecanismo de controlo acrescido do exercício de funções privadas por parte de técnicos e dirigentes intervenientes nos procedimentos relativos a operações urbanísticas no âmbito do Regime Jurídico de Urbanização e Edificação."

Em Maio, o Cidadania Queluz apurou que um em cada 10 técnicos superiores (licenciados) da Câmara Municipal de Sintra ocupava funções públicas com trabalhos privados. Desconhece-se se alguma medida do Plano de Prevenção de Riscos da Corrupção foi aplicada.

Riscos de corrupção identificados no Urbanismo:
  • Tempo de decisão
  • Situações em que os requerentes não juntam os documentos
  • Ausência de informação ao municípe
  • Tratamento diferenciado quanto ao tempo
  • Formas de procedimentos diferentes entre Divisões
  • Acumulação de funções públicas com privadas
  • Falta de imparcialidade
  • Processos instruídos pelos mesmos requerentes
  • Processos instruídos por requerentes com algum tipo de proximidade
  • Ausência de informação técnica, legislativa e procedimental
  • Falta de divulgação simples e clara dos actos administrativos

terça-feira, agosto 03, 2010

Corrupção: não há perseguição judicial em Portugal

Conferência sobre a corrupção participada em Portugal
No âmbito do cumprimento da Convenção Anti-Suborno da OCDE, a Transparency International emitiu um relatório no dia 28 de Julho onde inclui Portugal nos países que investigam apenas pequenos casos de suborno ou que não têm casos nem investigações a decorrer.

O relatório é bastante crítico com Portugal e a acção governativa e legislativa face à corrupção. A Transparency International conclui que a independência do Ministério Público é insuficiente; a execução judicial é descordenada e descentralizada; há falta de recursos e falta de formação especializada no Ministério Público; o sistema de reclamações e de protecção ao denunciante é inadequado; e existe falta de sensibilização.

Recorde-se que segundo o barómetro de 2009 da Transparency International, nos partidos políticos portugueses fervilha a corrupção. De 1 (não há corrupção) a 5 (corrupção extrema) os partidos políticos foram avaliados por 500 entrevistados com um 4.

Conclusões do relatório (em inglês) sobre Portugal:

Foreign bribery cases or investigations: There is hitherto no public information on cases and investigations except for published information provided by Portugal to the OECD indicating five foreign bribery convictions. No information about these cases is available.

Domestic bribery by foreign companies: At least one prosecution and two known investigations. The prosecution relates to alleged malfeasance in a public hospital’s procurement of €1.2 million in medical equipment from an Australian company via its Portuguese distributor and its Swiss subsidiary. Doctors at the hospital who were part of the decision-making jury were offered leisure trips with their families in 2003 and 2004. In October 2009 seven actors were indicted, including three medical doctors and two managers of the Australian company, one of them Swiss. There have also been media reports about an investigation triggered by an anonymous complaint, involving Freeport, a major UK property development company (a subsidiary of the Carlyle Group since 2007) in connection with the licence it obtained in 2002 to build a shopping centre. The investigation reportedly has been extended by the Public Ministry until June 2010 under cloak of judicial secrecy.

The Portuguese investigation of the ‘Submarines Affair’ continues, in which the German Submarine Consortium and the German company Ferrostaal are suspected of having influenced the sale of two Thyssen-Krupp-built submarines to the Portuguese Navy in 2004 for €1 billion, inter alia, through contributions to the political party of the defence minister. There are new developments in the German investigation of Ferrostaal and in April 2010 Portuguese authorities investigating the case reportedly uncovered an alleged commission invoice for €30 million. The invoice was found at Espírito Santo Group company ESCOM, which the Public Ministry reportedly suspects may have been used as a bogus consultancy firm to pay millions of euros in bribes to crooked Portuguese officials.

Inadequacies in legal framework: A key inadequacy in the legal framework lies in the amount of separate laws dealing with corruption-related issues, originating with a confusing web of intercepting articles that provide for interpretation issues and a lack of easy-to-understand mechanisms that can ultimately lead to legal uncertainty.

Inadequacies in enforcement system: The main flaw is the lack of resources for the judiciary police to conduct financial and other investigations. Other key reasons for unsuccessful enforcement are a lack of coordination between investigating police organs and the Prosecutor’s Office and a lack of specialised in-service training of inspectors/investigators. There is also inadequate protection for whistleblowers and insufficient awareness-raising about the foreign bribery prohibition. Authorities notice a slight improvement in mutual legal assistance due to increasing harmonisation through European legal instruments, such as the European Arrest Warrant, the creation of Joint Investigation Teams and the Schengen Agreement.

Access to information about cases and investigations: The publicly available information continues sometimes to be incomplete, mostly due to the large number of units responsible for collecting and treating corruption related information. Furthermore, criminal proceedings are kept confidential during investigations.

Requirements of export credit agencies: COSEC is the main state ECA in Portugal and includes an anti-bribery statement in application forms, which must be subscribed both by banks and/or exporters. This commitment extends to any person acting on behalf of the exporter/bank, whether an agent or a business partner. However, companies are usually not required to demonstrate they have an effective anti-bribery compliance programme. This is because it is considered is too ‘burdensome’ for companies, mostly small and medium-sized enterprises (SMEs), although the difficulties faced by SMEs were not specified. Only if there has been a court conviction or other equivalent administrative sanction for violation of laws against bribery will COSEC demand some additional verification on compliance programmes from its applicants, although this has never occurred. On the compensation of agents, applicants are required to provide information about the percentage of commission fees paid. If these commission fees seem to be excessive in respect of the services rendered or sector of activity, additional requests for information (enhanced due diligence) are addressed to the applicant to clarify this issue, which may even lead to a refusal to cover these amounts. In case of bribery, COSEC will inform authorities of the issue, invalidate its coverage, seek to recover already paid claims and deny access to official credit support for a specified period of time.

Facilitation payments: Such payments are forbidden in Portugal as they are covered by the general provisions on domestic corruption offences. This does not mean, however, that these kinds of payments are challenged by law enforcers in practice. There is an underlying social adequacy criteria, which allows common social practices (disregarding the value of the offering, as the social adequacy may differ on context). Facilitation payments, in the form of gifts and hospitality, are a common feature of Portuguese business culture.

Recent developments: Two new laws were passed in 2009 relating to the principle of mutual recognition of judicial orders and immediate execution of judicial decisions, such as decisions to freeze property or evidence, or confiscate criminal proceeds. These result from the previous successful implementation of the European arrest warrant (EAW) and other international harmonisation efforts. None of these instruments has had any practical application as of yet. This means that recognition of decisions can be quicker, as the dual criminality of the acts or ‘double jeopardy’ does not need to be verified. This in turn helps with prescription periods (statutes of limitations). On the role export credit agencies, recent legislation replaced the former Financial Guarantees Council (FGC) with the Export and Investment Financial Guarantees Board (CGFEI), which has implications for oversight and decision-making in this area.

Recommendations: Rethink corruption-related legal provisions, their content and their interaction with general crime related provisions. Assure the independence of judiciary authorities and police bodies. Improve financial investigation and other types of analysis through strengthening the information treatment system and diversifying investigation teams. Provide criminal police bodies with the necessary means and resources to prevent corruption-related proceedings from dragging in time. Ensure better protection for whistleblowers. Do more to raise awareness about the foreign bribery prohibition.

Nos partidos políticos é onde existe mais corrupção : é a percepção dos portugueses

Conferência sobre a corrupção participada em PortugalO barómetro de 2009 sobre a corrupção já foi publicado pela Transparency Internacional e revela que os portugueses têm a percepção que nos partidos políticos é onde fervilha a corrupção. O relatório foi produzido em  Portugal a partir de 507 entrevistas telefónicas entre os dias 20 de Novembro e 6 de Janeiro.

Os entrevistados tinham de responder de 1 (não há corrupção) a 5 (corrupção extrema) e os partidos políticos foram avaliados com um 4. O sector privado ocupa o segundo lugar - teve 3.7. O sector com menos corrupção são os media - com 2.8 - que nivela para baixo a percepção da corrupção em Portugal: a média é 3.4. 73% dos entrevistados entende que as acções do Governo contra a corrupção são ineficazes, quando a média europeia fica-se pelos 56%. Apenas 16% entende as acções do Governo como eficazes contra a corrupção.


Apesar da percepção dos portugueses, segundo o relatório global de 2009, em 2007 existiram zero casos de corrupção em Portugal e duas investigações. Em 2008 os dados são desconhecidos. Na Bélgica, uma país com a população semelhante a Portugal, teve quatro casos de corrupção em cada ano. O barómetro de 2009 indica ainda que 2% dos cerca de 500 entrevistados assumiu por telefone que alguém na sua casa pagou um suborno nos últimos doze meses.

quarta-feira, abril 14, 2010

Secretário de Estado da Administração Local diz que hoje há mais "transparência" e "confiança"

O Secretário de Estado da Administração Local esteve ontem no Parlamento onde referiu que as queixas contra os municípios caíram 50% em dois anos.

José Junqueiro diz que os autarcas são estruturalmente honestos e não se deve confundir a árvore com a floresta. O Secretário de Estado comenta assim o estudo encomendado pela Procuradoria Geral da República que refere que as autarquias são responsáveis por 90% da corrupção.

quarta-feira, março 31, 2010

Ministério Público demorou 4 anos a acusar dois técnicos da Câmara de Sintra de corrupção

A 9.ª Secção do DIAP de Lisboa demorou cerca de 4 anos a acusar dois técnicos de corrupção e falsificação. Aos arguidos foram imputados os "crimes de falsificação de documento, de corrupção passiva para acto ilícito e foi feita liquidação em vista a perda da vantagem ilícita do crime".

Segundo comunicado do dia 12 de Março da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa, além do salário enquanto funcionários da Câmara Municipal de Sintra, os dois funcionários públicos dedicavam-se à "obtenção e venda, a sociedades, de alvarás habilitantes para a actividade de construção civil, alvarás que são emitidos pelo IMOPPI/ICI IP e que eram da titularidade de outras sociedades e que os arguidos, ilicitamente, copiavam ou instruíam com elementos forjados, cedendo-os a troco de dinheiro a promotores que não estavam legalmente titulados, e que assim puderam obter, junto dos serviços de uma Câmara Municipal, alvarás para operações urbanísticas de edificação." Segundo o Jornal Público, cada conjunto de alvarás forjados custava entre os 1000 e os 5000 mil euros.

Corrupção em 16 Câmaras Municipais

Empresários de construção civil estavam envolvidos e já foram acusados dois. Em causa estão 166 obras e 16 Câmaras Municipais que deverão ser investigadas caso haja meios.

Departamentos Centrais de Investigação e Acção Penal paralisados

Na "Comissão eventual para o acompanhamento político do fenómeno da corrupção e para a análise integrada de soluções com vista ao seu combate" do Parlamento as opiniões são unânimes. A PJ não tem os meios adequados o que paralisa os inquéritos. Ver declarações da Procuradora do DIAP do Porto:

terça-feira, março 16, 2010

Câmara de Sintra: dois técnicos acusados de ligação a rede de falsificação de alvarás

Segundo o jornal Público, dois técnicos da Câmara Municipal de Sintra foram acusados pelo Ministério Público por ligação a rede de falsificaçao de alvarás.

O alegado mentor da rede é um construtor civil de Mafra - Fernando Paixão - e os dois funcionários da Câmara são Fernanda Brantes e Mário Moreira.

Notícia do Jornal Público de hoje (de José António Cerejo):

"A técnica era simples: a partir de cópias de alvarás originais subtraídos dos arquivos da Câmara de Sintra eram feitas cópias certificadas, com a colaboração de um solicitador que também é funcionário da autarquia, às quais eram anexadas apólices de seguros obtidas abusivamente, em nome das empresas titulares desses alvarás, bem como declarações de responsabilidade de execução das obras com as assinaturas falsificadas dos gerentes das mesmas empresas. A documentação assim forjada era então vendida, por valores entre os mil e os 5000 euros, a pequenos construtores que não satisfaziam os requisitos legais para poderem obter os alvarás necessários ao exercício da actividade da construção civil - emitidos pelo Instituto da Construção e do Imobiliário.

Os documentos usurpados às empresas titulares dos alvarás, tal como os forjados em seu nome, eram depois entregues às câmaras, juntamente com os projectos e os pedidos de licenciamento, e as obras, uma vez emitidas as licenças, eram feitas por empreiteiros não habilitados legalmente e que nada tinham a ver com as empresas cujos nomes usavam.

O alegado mentor da rede, um antigo construtor civil de Mafra (Fernando Paixão), contava com a colaboração de uma técnica da Câmara de Sintra, Fernanda Brantes, que é acusada de fotocopiar os alvarás verdadeiros em processos existentes nos serviços em que trabalhava. Além destes, envolve ainda um engenheiro técnico de um gabinete de engenharia sediado em Sintra, Mário Moreira, que também arranjava alvarás válidos, e de um agente técnico de arquitectura da Câmara de Sintra, José Mendes, que depois convencia o solicitador, seu colega na autarquia, a certificar os alvarás. O Ministério Público (MP) considerou que este último agia por amizade e por ter confiança no colega, sem saber que os documentos se destinavam a integrar um esquema de falsificação.

O MP (9.ª Secção do DIAP de Lisboa) acusou agora os quatro arguidos por falsificação de 17 processos em Sintra e dois deles por corrupção activa e passiva. Em várias comarcas do país estão em curso numerosos outros inquéritos com os mesmos intervenientes, num total de 166 obras e 16 câmaras. Foram extraídas certidões para iniciar outras investigações."

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Orlando Nascimento: "os crimes de urbanismo, como existem em Espanha, estão todos praticados"

Orlando NascimentoNo dia 18 de Fevereiro, Orlando Nascimento referiu na Comissão do Combate à Corrupção que "os crimes de urbanismo, como existem em Espanha, estão todos praticados." "Já poucos haverá a praticar," sustentou.

O Inspector Geral da IGAL - Inspecção Geral da Administração Local - receia que a criminalização dos ilícitos urbanísticos seja abdicar de tudo mais que possa existir.

Quem é Orlando Nascimento?

Orlando Santos Nascimento nasceu em 1956 na Freguesia de Rio de Mel, concelho de Trancoso, distrito da Guarda.

Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa em 1981, ingressou no Centro de Estudos Judiciários em 1983 e foi nomeado Juiz de Direito em 1985, tendo desempenhado funções, sucessivamente, no Tribunal de Instrução Criminal de Santarém, no Tribunal Judicial de Coruche, nos Juízos Criminais de Lisboa (actuais Varas Criminais), nos Juízos Cíveis de Lisboa (actuais Varas Cíveis), no Tribunal do Trabalho de Lisboa, no Tribunal Militar Territorial de Lisboa, no Tribunal Militar da Marinha e no Tribunal da Relação do Porto.

Presidiu à Comissão Nacional de Objecção de Consciência entre1996 e 2008, por designação do Conselho Superior da Magistratura, e foi Vogal da Comissão do Domínio Público Marítimo e da Comissão de Direito Marítimo Internacional entre Setembro de 1996 e Setembro de 2004.

À data (2008) da nomeação como Inspector Geral do IGAL, Orlando Santos Nascimento exercia funções de Juiz Desembargador na 7ª Secção Cível do Tribunal da Relação de Lisboa.

Vídeo:

IGAL: "São milhares" de funcionários públicos em acumulação de funções

IGALOrlando Nascimento, Inspector-Geral da Inspecção-Geral da Administração Local, esteve no dia 18 de Fevereiro no Parlamento. O Inspector-Geral, na audição da Comissão de combate à corrupção, referiu que uma das preocupações do IGAL é a acumulação de funções públicas com privadas dos funcionários das autarquias.

Orlando Nascimento refere que na generalidade a lei de acumulação de funções não é cumprida nas autarquias. O IGAL refere que são milhares de funcionários públicos que acumulam funções e em muitos casos os requerimentos não cumprem a lei.

O Inspector Geral disse que esta situação faz com que tenhamos "uma democracia muito feia," onde existe uma venda de poder, em especial no caso dos licenciamentos.

O IGAL tem 31 inspectores, na sua maioria licenciados em direito. 10 inspectores são licenciados em economia ou gestão e 1 inspector é licenciado em arquitectura. As inspecções acontecem de forma cronológica nos municípios ou de acordo com as denúncias recebidas no IGAL. Já nas Juntas de Freguesia são menos as auditorias e acontecem de acordo com o número de eleitores.

O Inspector Geral do IGAL referiu ainda na Comissão que muitas vezes os inspectores do IGAL não estão preparados para as ilicicitudes nas Juntas devido à enorme quantidade em cada inspecção.

terça-feira, fevereiro 16, 2010

PS Sintra critica Planos de Gestão de Riscos de Corrupção e Infracções da Câmara de Sintra

Corrupção
Na reunião Câmara Municipal de Sintra do dia 13 de Janeiro de 2010 foram aprovados os Planos de Gestão de Riscos de Corrupção e Infracções da Câmara de Sintra com a abstenção do PS Sintra.

Este documento, já entregue no Conselho de Prevenção da Corrupção, foi considerado "mal concebido e pouco eficaz"  pelo Partido Socialista que alertou para o "não cumprimento dos prazos por parte de cada um dos serviços, resistência dos serviços quanto à elaboração dos planos e graves anomalias no equipamento informático do Gabinete de Auditoria e Qualidade, o que não permitiu a elaboração de um documento homogéneo."

As críticas ao plano são várias e Ana Gomes leu-as na Reunião Pública do dia dia 27 de Janeiro de 2009:

Em primeiro lugar, não houve coordenação política do documento apresentado e aprovado pela Câmara.
Em segundo lugar, o PGRCI foi elaborado pelos serviços - os mesmos que mostraram resistência à concretização do documento.
Em terceiro lugar, o Grupo de Trabalho limitou-se a fazer a junção das partes preparadas pelos diferentes serviços.
Em quarto lugar, o PGRCI não resulta de uma profunda análise quanto aos procedimentos, nem foi aproveitada a oportunidade da sua elaboração para suscitar uma reflexão sobre procedimentos que promovam o aperfeiçoamento de controlos internos e a integração de acções que assegurem transparência nos processos, de forma a poderem ser controlados pelos munícipes.
Em quinto lugar, o PGRCI não elenca os princípios e valores por que se devem reger as relações entre os membros dos órgãos municipais, trabalhadores e outros colaboradores da autarquia e a sua relação com as populações.
Em sexto lugar, o PGRCI ignora princípios básicos que reduzem o campo de possibilidade de corrupção, tais como a visibilidade e transparência das decisões, consubstanciadas no controle democrático por parte das populações através das tecnologias de informação e comunicação.
Em sétimo lugar, o PGRCI nada refere quanto aos direitos dos munícipes na consulta dos processos que lhe dizem respeito.
Em oitavo lugar, não estão implementados manuais de procedimentos em nenhum dos Serviços e Empresas Municipais, com excepção do Departamento Financeiro e Serviços Municipalizados, um e outro aprovados pela Assembleia Municipal.
Em nono lugar, fica a saber-se que o Gabinete de Auditoria e Qualidade, que tem como missão auditar os Serviços e Empresas Municipais não possui recursos informáticos, nem sequer para fazer uma apresentação adequada e uniforme do PGRCI. Nestes últimos 8 anos não foi ordenada, que se conheça, uma única auditoria ou fiscalização a qualquer dos Serviços Municipais.
Em décimo lugar é assumido pelo próprio PGRCI que em importantes áreas de intervenção da Câmara Municipal não foi feita a identificação de riscos de corrupção, o que evidencia, por si só, as insuficiências do documento.
Em décimo primeiro lugar, o próprio PGRCI confirma que há significativas oportunidades e riscos para a corrupção nos serviços camarários em Sintra, em especial nas áreas do Urbanismo, Fiscalização Municipal e Empresa Municipal EDUCA.

Assim, quanto ao Urbanismo:

a) - Os imóveis para compra e venda pela CMS e outras avaliações, designadamente de arrendamentos,"são avaliados por uma Comissão de Avaliação", composta por funcionários da câmara, não existindo segregação de funções.

b) - Na área do Urbanismo admite-se que há riscos de "tentativas de influência no planeamento." No entanto, como medidas, propõe-se apenas o "acompanhamento atento de fenómenos de insistência sobre temáticas sensíveis."

c) - Na reconversão das AUGI, não se identificam riscos, mas propões-se "a criação de entidade para acompanhamento das situações suspeitas...". O que demonstra a existência de riscos que, como tal, importaria expressamente sinalizar.

d) - Na cartografia admite-se que "há falta de mecanismos de controlo interno... para garantir que não são realizadas adendas ou alterações posteriores". Mas não se propõe qualquer medida para suprir a omissão.

e) - Na apreciação de processos, apresenta-se a "ausência de informação ao munícipe" com um risco "muito frequente".... Mas, como medida, propõe-se apenas "disponibilizar a informação no sítio da CMS", sem se preverem os necessários internos de controlo para se obviar tal situação.

f) - Relativamente à recepção provisória e definitiva das obras de urbanização, indica-se como risco o "tempo de decisão". Sugere-se a criação de um sistema de justificação de alerta - o que significa que, lamentavelmente até hoje não existe.

g) - Relativamente a vistorias para emissão de alvarás - identifica-se como risco o "tempo de decisão". Como medida propõe-se a "criação de mecanismos de controlo do exercício de funções privadas por parte de técnicos e dirigentes intervenientes nos procedimentos relativos a operações urbanísticas no âmbito do REJUE". Uma medida muito reveladora - já admite que os técnicos e dirigentes da CMS decidem em causa própria.

h) - Quanto à Fiscalização Municipal:

Apontam-se como riscos: "Abuso de poder, peculato, suborno, tráfico de influência, participação em negócio". Propõem-se algumas medidas, mas muito, muito, longe de prevenir os riscos identificados.

i) - Na Divisão de Habitação:

Identifica-se como risco "frequente" a "inexistência de instrumento que estabeleça os critérios de atribuição de casas camarárias". Propõe-se a criação de um regulamento. Se o risco é frequente, questiona-se por que razão só agora se propõe uma medida de controle?

j) - Na DAI:

Identifica-se como risco a "inexistência de mecanismos de controlo interno dos processos de fiscalização de empreitadas". Propõe-se a implementação de auditorias aos processos de fiscalização de empreitadas". Cabe perguntar o que faz o Gabinete de Auditoria e Qualidade.

k) - Na EDUCA:

A situação é a mais grave de todas, tendo em conta de que o PGRCI clafissica de "frequente e muito frequente" um largo conjunto de actividades.

- Medidas
- Auditorias internas
- Manual de procedimentos
- Segregação de funções

Ora sabemos existir na EDUCA acções em tribunal, a propósito de desvios de dinheiro, e por erros de gestão, o património não está devidamente inventariado. Ao longo do tempo, os serviços da CM têm vindo a recomendar ao executivo municipal que exija à Administração da EDUCA as medidas que aqui agora se propõe, esperando nós que as mesmas venham finalmente a ter efectiva concretização.

Em conclusão:

O PGRCI é um documento muito extenso, mas não reflecte um real esforço político da Câmara Municipal de Sintra para identificar riscos de corrupção e exigir medidas de prevenção. Não é norteado por princípios e objectivos, não reforça mecanismos de controle interno, nem vem melhorar o acesso democrático, por parte das populações e dos eleitos, às decisões da administração municipal.

Face ao precede, entendem os Vereadores do Partido Socialista que a Câmara Municipal de Sintra deve assumir o compromisso de mobilizar os recursos políticos, humanos, técnicos e orçamentais para prevenir e reduzir riscos de corrupção e infracções conexas, norteada pelos seguintes objectivos:

a) Assegurar a coordenação política de todo o processo de controle interno e de gestão de riscos de corrupção da Câmara Municipal, ou por um ou mais dos membros da vereação.

b) Exigir a todo o seu pessoal escupuloso respeito pelos valores da transparência, da equidade, da participação, da acessibilidade à informação e de tolerância zero relativamente ao favorecimento e à corrupção.

c) Criar um registo de interesses destinado a dar a conhecer eventuais actividades privadas desempenhadas por funcionários dirigentes e poder de decisão.

d) Dotar os orgãos municipais de um sistema de informação acessível à população em geral e aos munícipes em particular.

e) Introduzir um Simplex Autárquico, tendo em vista facilitar a vida dos cidadãos, diminuir os custos de contexto que sobrecarregam as actividades económicas e modernizar a administração municipal.

f) Elaborar regulamentos, procedimentos e manuais de controlo interno em todos os serviços e empresas municipais, com o objectivo de combater a promiscuidade público/privado, aumentar a eficácia dos serviços, estabelecendo regras eficazes inibindo relações privilegiadas passíveis de serem utilizadas como tráfego de influência de interesses privados.

g) Incrementar urgentementer procedimentos internos de forma a tornar totalmente transparentes os activos administrativos praticados no Urbanismo, na Fiscalização Municipal e nas empresas municipais.

h) Atribuir ao Gabinete de Auditoria e Qualidade a responsabilidade exclusiva pela fiscalização e auditoria à boa aplicação dos procedimentos, das leis e regulamentos implementados nos serviços e empresas municipais e participadas onde o munícipio detenha a maioria do capital.

i) O controlo interno deve ser exercido pelo GAQ, a partir da autonomia funcional das competências e do corpo técnico, sendo as fiscalizações e auditorias realizadas de acordo com o Plano de Actividades aprovado pela Câmara;

J) O Gabinete de Auditoria e Qualidade ficará na dependência directa do Presidente da Câmara;

k) Os relatórios produzidos de fiscalização e controle, após exercício do contraditório, serão levados ao conhecimento da Câmara e publicitados, obrigatoriamente, no sítio oficial da Câmara;

l) Implementar o Orçamento Participativo (OP), permitindo aos cidadãos de Sintra participarem activamente no processo de decisão de uma parte dos investimentos públicos municipais, disponibilizando aos munícipes informação sobre onde, e como, são gastos os recursos municipais.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Polícia Judiciária deixou de receber resultados das inspecções do Estado

Carlos Anjos
Carlos Anjos, presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal da Policia Judiciária, afirmou na Comissão contra a Corrupção que a PJ deixou de receber resultados das inspecções do Estado.

"Atrevo-me a dizer que nos últimos anos não me passou pelas mãos um único processo que tenha vindo de uma destas inspecções: zero" referiu Carlos Anjos.

O combate à corrupção na Polícia Judiciária tem agora origem apenas na carta anónima, quando antes também tinha início no decorrer de acções inspectivas do próprio Estado.

Vídeo das declarações:

Corrupção: Pinto Monteiro diz que "o crime urbanístico não é punido" em Portugal

Pinto Monteiro esteve numa audição sobre a corrupção na Assembleia da República onde disse que "o crime urbanístico não é punido" em Portugal.

O Procurador Geral da República defende a criação do crime urbanístico na defesa de uma "gestão racional dos solos, do ambiente, etc."

De recordar que no dia 28 de Janeiro de 2009 o CDS-PP apresentou um projecto de lei que visa criar o crime urbanístico. O projecto de lei foi aprovado na generalidade com abstenção de toda os partidos à excepção do CDS-PP. Agora encontra-se na Comissão para Acompanhamento da Corrupção.

Na Comissão Eventual para o Acompanhamento Político do Fenómeno da Corrupção e para a Análise Integrada de Soluções com Vista ao seu Combate, Pinto Monteiro referiu que a lei tem de ser feita "como o sal" e existe uma  necessidade de evitar exageros.

Vídeos das declarações de Pinto Monteiro no dia 9 de Fevereiro:

sexta-feira, janeiro 29, 2010

Joaquim Raposo afinal não é arguido : DCIAP e Polícia Judiciária em conflito

Pinto Monteiro
Ao que apurou o Diário de Notícias, a Unidade Nacional contra a Corrupção da Policia Judiciárias notificou Joaquim Raposo da sua constituição como arguido, mas o Departamento Central de Investigação e Acção Penal não terá validado a acção da Polícia Judiciária.

A procuradora Antonieta Borges do DCIAP tinha 10 dias para validar a decisão da Polícia Judiciária, mas optou por não o fazer. Desta forma, pode concluir-se que Joaquim Raposo e outros notificados não são arguidos.

O Diário de Notícias apurou ainda que Antónia Borges não validou a decisão da Polícia Judiciária pois Joaquim Raposo foi constituído arguido sem que tivesse acesso ao resumo dos factos que constam no processo contra o mesmo.

Polícia Judiciária não quer deixar prescrever caso de uma alegada corrupção com empreiteiros

Em defesa, a Polícia Judiciária afirmou ao DN que apenas optou pela constituição de arguido pois possibilita que o processo não prescreva, dado que a partir desse momento os prazos ficam suspensos.

A Polícia Judiciária já propôs ao Ministério Público a detenção de 14 suspeitos para primeiro interrogatório, no entanto, o MP só autorizou mandatos de busca já feitos no ano de 2005.

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Joaquim Raposo é arguido em processo com nove anos : há risco de prescrição

O reeleito presidente da Câmara Municipal da Amadora, Joaquim Raposo, e Gabriel Oliveira, vereador "da Gestão Urbanística" são arguidos num processo que averigua se existiu corrupção no município.

O processo está a ser conduzido pelo DIAP Lisboa e segundo a TVI, único orgão de informação a noticiar o caso, já se prolonga há 9 anos. O processo corre o risco de prescrição e só agora Joaquim Raposo foi notificado para ser inquirido.

Em 2004 e 2005, o presidente da câmara, vários vereadores e empreiteiros tinham já sido objecto de buscas. Há 5 anos a PJ apreendeu vários documentos e computadores.

O DIAP Lisboa demorou mais de 5 anos após as buscas a notificar os arguidos e só agora, Joaquim Raposo e vários empreiteiros, foram notificados.

Felícia Cabrita, no jornal Sol, conduziu uma investigação jornalística sobre o processo. A notícia tem como título: "Empresa da mãe de Sócrates citada no processo de corrupção na Amadora"

Joaquim Raposo é presidente da FAUL

O actual presidente da Câmara Municipal da Amadora, eleito com maioria absoluta, é também líder da FAUL, estrutura do Partido Socialista que representa as secções concelhias da Área Metropolitana de Lisboa.

Joaquim Raposo, ao jornal SOL, afirmou hoje que irá recandidatar-se à presidência da FAUL.