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sábado, janeiro 16, 2010

Guilherme Dias defende via rápida sobre o rio Jamor na cidade de Queluz

Foi publicado um vídeo onde Guilherme Dias, presidente da Junta de Freguesia de Belas é entrevistado. O presidente da Junta de Freguesia de Belas defende um projecto já chumbado pelo INAG e que não prevê qualquer valorização e naturalização do rio.

Trata-se de um novo traçado que quer o presidente da Junta de Freguesia de Queluz como o presidente da Junta de Freguesia de Belas (ambos socialistas) têm defendido.  Os presidentes defendem a criação de uma via rápida desde a rotunda do Jamor a Belas que na freguesia de Queluz fica sobre o rio Jamor.

A prioridade do presidente da Junta de Freguesia de Belas é a estrada que faz a ligação da vila de Belas à cidade de Queluz sem dar cumprimento ao Plano Verde que prevê um corredor verde no rio Jamor em vez de uma estrada.

De recordar ainda os efeitos funestos que o entubamento do rio Jamor pode trazer caso haja uma precipitação acima do normal. Projectos da Câmara para o local já foram chumbados por duas vezes no INAG.

Onde se poderia criar uma ciclovia e equipamentos colectivos, as Juntas de Fregueisa pretendem a criação de uma via rápida. Solução que além de ir contra o parecer do INAG vai também contra o Plano Verde. O comércio local na Avenida Miguel Bombarda, já debilitado, pode ainda ser afectado pois a Avenida perderá o trânsito e clientes da vila de Belas, da freguesia de Casal de Cambra e de Almargem do Bispo.

Proprietário do terreno abandonado disponível para cedência gratuita

No vídeo divulgado pelo PS, Guilherme Dias alerta para a cedência gratuita do proprietário, quando a Câmara Municipal de Sintra tem poderes legais para expropriar o terreno. Por estar em leito de cheia é proibida a construção e recorde-se que a lei da água já permite à Câmara Municipal de Sintra expropriar aqueles terrenos por estarem a 50 metros do rio Jamor. Recorde-se também o total estado de abandono dos terrenos.

Menos transportes e mais estradas

A solução das Juntas de Freguesia pode contribuir ainda mais para que a cidade de Queluz se transforme num subúrbio onde cada prédio passa a ter uma via rápida à porta. A solução de se manter o traçado da estrada (reabilitado e com passeios) com a criação de um transporte colectivo eléctrico pode nem sequer estar a ser ponderada.

Projecto nunca foi discutido publicamente

Apesar da existência da internet, quer a Junta de Freguesia de Queluz como a Junta de Freguesia de Belas nunca publicaram o projecto nem permitiram a sua discussão com todos os factos, estudos e pareceres: os chumbos do INAG, o perigo de cheias, o plano verde, o ecossistema do rio Jamor, a questão da valorização da cidade, a destruição do aqueduto que vai desde o Pendão até ao Palácio, a promoção dos transportes colectivos e da bicicleta e o declínio do comércio local.

terça-feira, outubro 27, 2009

Avenida Miguel Bombarda não terá passadeiras

Segundo o projecto de obras para a Avenida Miguel Bombarda, não existe lugar para as passadeiras. As lojas também não terão rampas para pessoas com mobilidade reduzida.

Pode verificar aqui o projecto e constatar que não só as passadeiras não foram pensadas como não existirá espaço para as mesmas.

No futuro podem construir-se passadeiras em direcção a espaços reservados ao estacionamento. Ora esta situação irá originar alterações ao projecto inicial e possivelmente mais custos de correcção.

A empresa que desenhou o projecto foi a Viaprojectos - consultores de engenharia e arquitectura, LDA.

quarta-feira, julho 08, 2009

Antigo quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Queluz

Um imóvel com passado… e futuro!?

A monografia que entendemos destacar durante o mês de Fevereiro, Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Apontamentos para a sua História, 1921-2005, com textos e coordenação de Salvador da Luz, ex-presidente da Direcção da mesma instituição e destacado dirigente das estruturas representativas dos bombeiros portugueses, editada em Outubro de 2006, propicia a apresentação de uma proposta de roteiro.

Assim, aos amantes da história e do património que optem por uma incursão turística pela região de Sintra, propomos que façam paragem no antigo quartel dos bombeiros Queluzenses, apesar de este não se encontrar aberto ao público. Localizado nas imediações do Palácio Nacional de Queluz, no Largo Mouzinho de Albuquerque, o referido imóvel, em apreciável estado de conservação, exceptuando os graffitis, constitui um bom exemplo do tipo de edifícios que outrora serviram de aquartelamento aos corpos de bombeiros, sobretudo, na vulgarmente designada “província”. Ou seja, é testemunho do tempo em que o quartel-sede de uma associação de bombeiros se cingia aos gabinetes da Direcção e do Comando, posto de socorros e parque de viaturas. Contrariamente ao que mais tarde veio a generalizar-se através da construção de novos quartéis, poucas instalações dispunham de camarata para pessoal de piquete no período nocturno (os voluntários pernoitavam nas suas residências, conhecendo-se situações em que os corpos de bombeiros dispunham de rede telefónica interna, com ligação aos primeiros, a fim de garantirem pronta resposta no socorro) e de sala destinada à ocupação dos tempos livres. Não obstante as limitações e, como tal, os poucos incentivos, os efectivos dos corpos de bombeiros voluntários revelavam-se numerosos e assíduos. Por sua vez, perante a inexistência de casa-escola, a fachada de qualquer edifício de maior envergadura era o bastante para a instrução do pessoal, vendo-se esta consubstanciada, essencialmente, em exercícios com manobras de escadas e no estabelecimento de mangueiras. De Norte a Sul do país, a construção de um esqueleto de madeira equivalente a vários pisos, junto ao quartel, satisfazia, também, as necessidades de instrução dos corpos de bombeiros.

“…as velhas instalações do Largo Mouzinho de Albuquerque convidam a uma reflexão sobre o seu reaproveitamento para fins de utilidade pública dada a sua localização e vocação. Criar um espaço museológico, por exemplo, poderia ser uma solução a equacionar e incentivar” Salvador da Luz

O antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Queluz (BVQ), que ainda hoje mantém instalada, na cobertura, a velha sirene para chamada dos voluntários, bem como, no frontão, as letras correspondentes à sigla BVQ, reporta-se a 1934.

Afecto ao Palácio Nacional de Queluz, o edifício foi cedido para instalação do quartel-sede, à Sociedade Benemérita de Queluz (antiga denominação da Associação), pela Repartição do Património.

Anteriormente, o espaço acolheu um depósito de carvão, facto que obrigou a trabalhos de recuperação e adaptação, os quais foram assegurados pelos próprios bombeiros, que para o efeito desenvolveram uma “luta titânica”, devido à “falta de recursos financeiros”, descreve Salvador da Luz.

Tratou-se do primeiro quartel-sede condigno que a associação teve desde a sua fundação, verificada em 2 de Outubro de 1921, pois o material de combate a incêndios permanecera sempre guardado sob as arcadas do Palácio.

A inauguração oficial do aquartelamento veio somente a ocorrer no dia 16 de Maio de 1937, depois de vencidas muitas vicissitudes, tendo sido convidados para as respectivas cerimónias o governador civil do distrito de Lisboa, o presidente da Câmara Municipal de Sintra e o administrador do concelho, entre outras entidades. O momento prestou-se ainda ao baptismo de um pronto-socorro e de um transporte de pessoal, seguido de desfile pelas ruas da então vila de Queluz, abrilhantado pela Banda da Sociedade União Sintrense.

Reaproveitamento para fins de utilidade pública

O velho edifício serviu de quartel-sede até 1977, ano no qual foram inauguradas as actuais instalações da Rua D. Pedro IV, entretanto ampliadas na última década do século passado.

O autor da monografia em destaque termina a parte reservada ao primeiro quartel-sede referindo que “as velhas instalações do Largo Mouzinho de Albuquerque convidam a uma reflexão sobre o seu reaproveitamento para fins de utilidade pública dada a sua localização e vocação. Criar um espaço museológico, por exemplo, poderia ser uma solução a equacionar e incentivar”.

Tais palavras, que subscrevemos em absoluto, mantêm-se plenas de actualidade e por isso é importante recordá-las, destacando-as, a começar pelo facto de o imóvel permanecer fechado, para efeitos de arrumos da associação.

Embora não sendo objecto da História fazer futurologia, estamos certos de que o veículo antigo estacionado no interior do mesmo edifício, a exigir reparação, mais o valioso espólio exposto na sala-museu e noutras dependências das actuais instalações dos BVQ, cuja visita recomendamos vivamente, configurariam um interessante espaço sociocultural e dignificariam, muitíssimo, o longo trilho dos “soldados da paz” de Queluz, em particular, e de Portugal, em geral.






Nota: Fotos antigas retiradas da monografia Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Queluz. Apontamentos para a sua História, 1921-2005

Escrito por Luís Miguel Baptista no blog Fogo & História