O Bloco de Esquerda assinala os doze anos da cidade de Queluz. Comemoramo-la assim como ela é e como a vivemos – imperfeita. Porque esta imperfeição é a forma da nossa vida. E porque não nos resignamos.
Daí que comemoremos não escondendo os seus defeitos ou aumentando as suas virtudes mas denunciando problemas e propondo respostas. Este é o nosso contributo para uma comemoração que os/as responsáveis autárquicos teimam em não fazer.
Numa cidade cheia de problemas, apresentamos aqui doze razões, entre outras que existiriam, que os queluzenses têm para não comemorar. Comemorar verdadeiramente a cidade é não calá-las.
1- A cidade que não é cidade
Se a cidade não se vive como cidade, se as freguesias vivem de costas voltadas umas para as outras como se pode comemorar? As três freguesias não souberam encontrar-se no sentido de comemorar o aniversário da cidade tal como não souberam encontrar-se para promover políticas conjuntas ao nível da cidade.
2- A cidade sem espaços de cidadania
E se os espaços e instrumentos de participação e de cidadania faltam ao nível das freguesias, não sendo concretizados projectos que valorizam o contributo de todos/as para a construção da cidade, como o orçamento participativo e a Agenda 21, muito menos existem ao nível da cidade de Queluz: nem as freguesias promovem em conjunto políticas de cidade, nem os/as cidadãos/ãs têm forma de se encontrar e discutir o seu futuro enquanto co-cidadãos/as.
3- A cidade betonizada
Queluz é uma cidade com uma grande densidade urbana e carente de espaços verdes, em que as casas abandonadas vão pontuando a paisagem urbana sem existirem programas reabilitação urbana. Inverter a lógica da suburbanização é uma tarefa difícil mas fundamental para a qualidade de vida.
4- A cidade afectada pela crise
Na cidade, mais ou menos escondida, habita também a crise. Qualquer política urbana terá sempre de se apoiar no valor da solidariedade social e responder às dificuldades económicas quer através de medidas de apoio social de emergências quer através de medidas sociais a longo prazo. Viver condignamente a cidade é um direito e estas medidas não podem ser encaradas como caridade.
5- A cidade carente de equipamentos públicos de qualidade
Na cidade de Queluz faltam equipamentos públicos de proximidade indispensáveis, sociais, culturais e desportivos, que façam com que a cidade seja menos dormitório e mais vivida por cada um dos seus/suas habitantes.
6- A cidade à espera da Saúde
Apesar de ser urgente a construção de um novo centro de saúde em Queluz, durante muito tempo os poderes autárquicos e governamental não souberam estar à altura desta urgência adiando a solução deste problema. Em tempo de eleições, a questão surge de novo como se estivesse solucionada. Mas o que é certo é que Queluz continua sem ver o centro de saúde de que precisa.
7- A cidade carente de espaços educativos
Com uma população muito concentrada, Queluz necessita de reabilitar os seus espaços educativos e de redimensioná-los de acordo com as necessidades da cidade. Por exemplo, é necessário generalizar o acesso ao ensino pré-escolar e garantir a existência de creches e jardins-de-infância públicos.
8- A cidade que sente insegurança
Muitos/as cidadãos/ãs de Queluz vivem hoje a cidade com um sentimento de insegurança. É preciso responder a este problema sem cair no habitual populismo que estigmatiza com as suas respostas fáceis e que não pensa a fundo as causas deste problema. A cidade necessita de combater todas as formas de violência e de prestar apoio às suas vítimas.
9- A cidade em que não cabem todas as gerações
A cidade tem de contar com os mais jovens e os mais idosos. É necessário criar espaços, actividades, programas de voluntariado quer para crianças e jovens quer para os idosos, estabelecendo ainda programas de apoio aos idosos mais necessitados.
10- A cidade monocultural
A cidade é feita por um encontro de culturas e, no entanto, não promove o diálogo entre elas. Uma cidade assim estabelecida perde a sua riqueza e arrisca criar pontos de tensão entre diferentes formas de a viver.
11- A cidade afunilada
A cidade é o calvário das deslocações, afunilada nos automóveis que se dirigem ao trabalho. É a inexistência de redes de transportes públicos eficazes e de ligações com a sua periferia.
12- A cidade sem memória e com pouca vivência do seu património
Grande parte da cidade desconhece a riqueza do seu património, edificado, natural e cultural. Queluz deveria promover o conhecimento e a defesa deste património. E deveria partilhar a sua memória à escala da cidade.
Há assim em Queluz várias situações para não são para comemorar. Mas estas não nos fazem baixar os braços. A cidade que queremos ajudar a construir comemora-se sem traumas. E a melhor comemoração é juntar forças para transformar a cidade com a força criativa dos/as seus/suas cidadãos/ãs.
Os deputados da bancada do Bloco de Esquerda, na Assembleia Municipal de Sintra,nunca fizeram qualquer intervenção em defesa da Cidade de Queluz,concretamente,referindo os 12 pontos aqui inseridos no Cidadania. O que andaram a fazer nestes 4 anos de mandato??
ResponderExcluirE os seus representantes nas Assembleias de Freguesia da Cidade de Queluz??
Falam, falam ... mas trabalhar é bem mais complicado!! Deixem-se de demagogias e sejam mais colaborantes em prol do bem estar das nossas populações!! Palavras ... leva-as o vento.
Fátima Campos