No seguimento da notícia que veio a público, através da Agência Lusa, relativamente à intervenção da Câmara Municipal de Sintra no caso em apreço, impõe-se o esclarecimento que se segue.
Foi com enorme estupefacção que li o artigo referido e as inverdades referidas pela Câmara Municipal de Sintra.
Todo o apoio aos familiares das vítimas (Sara Gomes e Zíbia Coimbra) foi prestado por esta Junta de Freguesia. Desde o primeiros momento, do próprio dia do acidente, dado que uma das jovens residia em Monte Abraão.
Eu própria e os dois psicólogos e uma assistente social da Junta de Freguesia de Monte Abraão, a que muito me orgulho de presidir, deslocamo-nos ao local do acidente quando ainda estava a ser retirada a viatura das vítimas. O corpo (de Sara) que se encontrava no interior do automóvel foi transportado para a sede dos Bombeiros de Belas, local para onde se dirigiram, também, os familiares e amigos mais próximos das duas malogradas jovens. O apoio psicológico foi, de imediato, prestado pelos técnicos desta Junta de Freguesia. Eu própria falei com o pai e com os viúvos de Sara e Zíbia, oferecendo todos os meus préstimos para o que fosse necessário.
Nesse momento, propus que fosse esta Junta de Freguesia a pagar os funerais, crendo que o corpo de Zíbia aparecesse. Foi então feito o funeral de Sara, custeado por esta autarquia, tendo eu estado no velório e acompanhado ainda o funeral.
Não esteve presente ninguém da Câmara Municipal de Sintra. Nem sequer um ramo de flores ou um simples cartão de condolências foi enviado. Dois dias depois do funeral, dado que o mesmo se realizou num sábado, duas psicólogas desta Junta deslocaram-se à morada dos pais das vítimas, onde deram seguimento a todo o processo de acompanhamento, quer psicológico, quer social. Alguns dias depois, os dois viúvos foram recebidos por mim, nas instalações da Junta de Freguesia. É da Junta de Freguesia a iniciativa que conseguiu colocar num infantário em Monte Abraão, gratuitamente, o filho de Sara, bebé com um ano de idade (feito uma semana após a morte da mãe). Infantário onde continua (e muito bem) a mesma criança (que faz dois anos na próxima semana), ainda sem quaisquer custos, graças à generosidade da sua directora e proprietária.
Foi, ainda, através da intervenção das técnicas da área psicossocial desta Junta de Freguesia e, principalmente, através da intervenção directa do Sr. Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social - a quem a família recorreu por altura da sua visita a Queluz, há um ano, quando ocorreram as cheias que vitimaram as duas jovens irmãs -, que os familiares das vítimas começaram a receber algum apoio da Segurança Social, porque lhes havia sido dito que não tinham direito a nada.
Tiveram igualmente, é justo dizer-se, um extraordinário apoio de amigos ligados à igreja que frequentam.
Este esclarecimento não tem o objectivo de enaltecer a intervenção desta Junta de Freguesia. Procedimentos como este - e outros idênticos - são habituais da parte desta Junta. Acontecem todos os dias do ano e não têm (nem o queremos) qualquer divulgação: é para apoiarmos a população que existimos. Não fazemos qualquer favor.
Resolvi fazer este esclarecimento, isso sim, para repor a verdade e desmentir os falsos argumentos da Câmara Municipal de Sintra, que considero indignos e lamentáveis. Falsidades que me foram confirmadas, de imediato, pelo porta-voz da família enlutada. Até a carta de agradecimento que a CMS refere ter recebido de um dos viúvos foi forjada. Considero esta
situação, todos estes expedientes, deploráveis.
Maria de Fátima Campos
Presidente JF Monte Abraão
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