terça-feira, fevereiro 17, 2009

Rio Jamor: Câmara diz agora ter ajudado família das vítimas

riojamorFace às notícias de que nada foi feito aquando da morte das duas mulheres no Rio Jamor e já depois da tragédia, a Câmara Municipal de Sintra comunicou hoje à LUSA ter ajudado a família das vítimas.

Câmara Municipal refere que foi intermediária junto da Segurança Social:

«Duas crianças de uma das vítimas e do senhor Lourenço Coimbra foram colocadas numa IPSS [instituição particular de solidariedade social]. Também foi a autarquia que tratou de tudo, tendo inclusive pago a sua inscrição.»

Na nota à Agência Lusa é ainda referido que "as crianças foram vacinadas" e que  "a autarquia «está desde então a tentar disponibilizar uma habitação para esta família".

A Câmara nesta nota de imprensa à Agência Lusa cita uma carta enviada pelo viúvo Lourenço Coimbra:

"Nunca me poderei esquecer do apoio demonstrado pela Drª Anabela Paraíso [do departamento de Acção Social da autarquia] que mostrou-se muito abalada e condoída com a nossa dor, ao ponto de se deslocar a casa dos meus sogros, apesar de já ter tido a iniciativa de enviar as duas psicólogas".

Um comentário:

  1. Foi com alguma estupefacção que li o artigo acima e as inverdades referidas pela Câmara Municipal de Sintra. Foi esta Junta de Freguesia que, desde o primeiro momento, no próprio dia do acidente, prestou todo o apoio aos familiares das vítimas, dado que uma das jovens residia em Monte Abraão. Eu própria, acompanhada de dois psicólogos e uma assistente social da Junta de Freguesia de Monte Abraão, que muito me orgulha presidir, nos deslocamos ao local do acidente ainda estava a ser retirada a viatura das vítimas. A vítima que se encontrava no interior da viatura foi conduzida para a sede dos Bombeiros de Belas, local para onde se dirigiram, também,os familiares e amigos mais próximos das duas vítimas.O apoio psicológico foi prestado pelos técnicos desta Junta de Freguesia. Eu própria falei com o pai e com os viúvos das vítimas, oferecendo todos os meus préstimos para o que fosse necessário. Foi quando propus ser esta Junta de Freguesia a pagar os funerais, crendo que o corpo da outra vítima aparecesse. Foi então feito o funeral da Sara, custeado por esta autarquia, tendo eu estado no velório e tendo ainda acompanhado o funeral. Não esteve presente ninguém da Câmara Municipal de Sintra. Nem sequer um ramo de flores ou um simples cartão de condolências foi enviado. Dois dias depois do funeral, dado que o mesmo se realizou num sábado, duas psicólogas desta Junta deslocaram-se à morada dos pais das vítimas, onde deram início a todo o processo de acompanhamento, quer psicológico, quer social. Alguns dias depois, os dois viúvos foram recebidos por mim, nas instalações da Junta de Freguesia. Fomos nós, Junta de Freguesia, quem conseguiu colocar num infantário em Monte Abraão, gratuitamente, o filho da Sara, bebé com 1 ano de idade (feito uma semana após a morte da mãe). Infantário onde ainda se encontra a mesma criança(que faz 2 anos na próxima semana), gratuitamente, graças à generosidade da sua directora e proprietária. Foi, ainda, através da intervenção das técnicas da área psicossocial desta Junta de Freguesia, mas foi principalmente através da intervenção directa do Sr. Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, a quem a família recorreu aquando da sua visita a Queluz, há um ano atrás, quando ocorreram as cheias que vitimaram as duas jovens irmãs, que os familiares das vítimas começaram a receber algum apoio da Segurança Social, porque lhes havia sido dito que não tinham direito a nada. Tiveram um extraordinário apoio de amigos ligados à igreja que frequentam. Resolvi fazer este esclarecimento, não para enaltecer a intervenção desta Junta de Freguesia. Procedimentos como este e outros idênticos são habituais nesta Junta, todos os dias do ano, sem qualquer divulgação. É para apoiarmos a população que a nós recorre, que existimos. Não fazemos qualquer favor.
    Resolvi fazer este esclarecimento para repor a verdade e desmentir os falsos argumentos da Câmara Municipal de Sintra que considero indignos e lamentáveis.Falsidades que me foram confirmadas, há pouco, pelo porta voz da família enlutada. Até a carta de agradecimento que a CMS refere ter recebido de um dos viúvos foi manipulada. Considero esta situação muito grave e lamentável!
    Fátima Campos
    Presidente JF Monte Abraão

    ResponderExcluir