"Ministra recebe apelo dos pais
Das bancadas, as cores das linhas limitadoras das áreas do campo de treinos e jogos e o brilho do soalho até dão a sensação que se está perante um bom piso para a prática de hóquei em patins.
De perto é difícil o olhar fugir dos altos e baixos que o mesmo apresenta, ainda para mais quando se percebe na trajectória da bola esse efeito da enorme irregularidade. A humidade e a utilização por outras modalidades tem destruído aquele que chegou a ser considerado um bom ringue, dando-lhe uma ligeira ondulação.
Essa é a maior dor de cabeça de técnicos e praticantes, para a qual os pais do atletas tentam há vários meses arranjar uma solução. Na última semana de Novembro optaram por fazer chegar um abaixo-assinado (subscrito por todos os encarregados de educação) à ministra da Educação, Maria da Lurdes Rodrigues, com o conhecimento dos presidentes da Câmara de Sintra e da Junta de Freguesia de Massamá.
No documento, os pais apelaram à necessidade de substituir o pavimento, para que o centro se mantenha. Mas não obtiveram qualquer resposta. "São tantos jovens que aqui andam, que seria dramático terem de deixar o hóquei, por não terem condições no campo de treinos. Bastaria um simples gesto para continuar a desenvolver este projecto fantástico", defende Clotilde Oliveira, mãe de dois atletas, Rui e Diogo.
Aliás, a ambição de técnicos e miúdos, de quererem ir cada vez mais longe, encontra nos pais uma das principais traves-mestras deste projecto.
"No escalão do meu filho não há carrinha. Têm de ser os pais a transportá-los. Muitas vezes levo um dos meus filhos e o outro, se tem um jogo noutro lado qualquer à mesma hora, tem de ir com o pai de um colega", esclarece Rui Oliveira. "Sentimo-nos cada vez mais como uma grande família", acrescenta, emocionado.
Projecto pioneiro põe jovens a jogar hóquei
Começou por ser um simples projecto curricular na Escola Secundária Stuart Carvalhais, em Massamá, mas com cinco anos de existência já se tornou num programa invulgar de incentivo à prática do hóquei em patins.
Há três horas consecutivas que Pedro Jacinto rola sobre os patins, percorrendo de uma ponta à outra, de stick na mão, o piso do pavilhão daquele estabelecimento de ensino. Atrás do atleta, de 14 anos, um outro colega, João Carvalho, não esconde a intenção de ali permanecerem - pelo menos - outras duas horas, até o treinador finalizar o treino, às 20 horas. Estão em pleno período de férias das aulas, tal como outras 100 crianças e jovens que encontram ali, no Centro de Formação Desportiva de Hóquei em Patins/Escola de Referência, em Massamá, uma ocupação dos tempos livres precursora a nível nacional.
Concebido por João Campelo, professor de Educação Física na Stuart de Carvalhais e um antigo hoquista do Sporting, como um projecto curricular, associado à prática de patinagem e de hóquei nas aulas, rapidamente a enorme adesão de alunos motivou a criação do centro de formação em diversos escalões. Hoje, além de funcionar durante as férias escolares, é uma alternativa às habituais actividades de tempos livres (ATL) durante o resto do ano.
"Temos uma centena de atletas, entre os quatro e os 19 anos, que vêm no hóquei a sua principal actividade dos tempos livres. E o mais importante: continua a não haver nada igual no resto do país", explica João Campelo, coordenador daquela estrutura que conta com sete equipas em campeonatos regionais, divididas por seis escalões, uma delas de desporto escolar e outra feminina, a mais recente aposta (ver texto ao lado, em baixo). "O centro já não funciona com menos de 10 mil euros anuais e estamos a treinar na capacidade limite que este espaço pode oferecer", diz.
Frederico Vieira, de 11 anos, é um dos melhores exemplos da eficácia do projecto educativo. "Comecei há quatro anos e nem sequer sabia patinar. Depois passei a ser guarda-redes mas ficava no banco. Hoje já sou titular", refere, orgulhoso, nos balneários.
Segundo Alexandre Madeira, um dos sete treinadores, o principal objectivo passa agora por aumentar a capacidade técnica dos atletas. "Estes jovens começam a aprender a jogar hóquei ao mesmo tempo que aprendem a patinar. Dificulta-lhes a destreza. Mas temos alguns jovens com destreza e num ou outro escalão estamos acima da tabela", admite.
Custeando os equipamentos que os atletas usam e contando com o apoio da Junta de Freguesia de Massamá no transporte dos atletas, o centro tem agora na irregularidade do piso um dos seus maiores problemas. "Quando vencemos os nossos adversários, estes dizem que a culpa para a derrota é do nosso campo ser irregular", confessa João Campelo."
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